Rio Cachoeira era o "pai dos pobres" em Itabuna

quando ainda não sofria os fortes efeitos da poluição. Lurdes Bispo, doméstica, tem 61 anos e conta que o Rio cachoeira era muito diferente do que é visto hoje.
“Esse rio era lindo”. Lurdes lembra do tempo em que crianças costumavam brincar no rio, mulheres lavavam roupas e os homens pescavam. O Rio Cachoeira era fonte de lazer e trabalho. “Esse rio era o pai e a mãe da pobreza”.
Era nele que as famílias encontravam formas de sustento, lembra. Sem poluição, a pesca era um bom negócio e as lavadeiras podiam trabalhar despreocupadas. Lurdes diz que mulheres passavam o dia todo lavando roupa no rio, inclusive ela.
Os filhos da doméstica costumavam brincar com outras crianças no Cachoeira. Lurdes explica que era uma forma de lazer para todos. “Tinha areia branca e dava pra ver muitos peixes no rio”.
Para ela, todo o esgoto e lixo despejado no Cachoeira acabou com o rio. “O rio está morto. Acabou”. Segundo ela, as pessoas deviam tomar conta do rio, pois ele já foi muito importante para a cidade.
Banho de rio
O carregador Moisés dos Anjos, 62 anos, conta que também costumava tomar banho no rio, há muitos anos. Ele passava o dia pescando enquanto a mãe tomava banho e lavava roupa. “Saíamos de manhã e só voltávamos à noite”, lembra Moisés.
Ele diz que o rio vivia lotado de pessoas e que um número enorme de crianças costumava brincar nele. Na opinião de Moisés, hoje as pessoas não são felizes com o rio como no passado.
“As pessoas não encontram mais peixes e o mau cheiro incomoda muito. Já foi muito bom esse rio, mas hoje nem as mulheres ganham mais lavando roupas”.
José Rosa tem 36 anos e é carregador. Ele conta que o rio era o lugar onde costumava brincar quando criança. Era o lugar de lazer dele e dos colegas.
Todos os amigos de José iam até o rio e passavam o dia nadando e brincando. “Hoje, não tenho mais coragem de entrar”.
Todas as mudanças do Rio Cachoeira já serviram como fonte de inspiração para Cyro de Mattos, escritor regional. Em seu livro “Vinte poemas do Rio”, Cyro apresenta poemas que lembram o tempo das lavadeiras, dos pescadores e das crianças.
Há também referências à poluição do rio.
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