Interdições de rodovias federais podem estar com os dias contados


Após uma série de protestos, que resultaram no fechamento, principalmente da BR-101, trecho de Buerarema, a presidente Dilma Rousseff autorizou uma operação especial para acabar com os bloqueios de pistas

Por diversas vezes, a BR-101 foi interdita durante protestos de fazendeiros em Buerarema Por diversas vezes, a BR-101 foi interdita durante protestos de fazendeiros em Buerarema As BRs-101 e 415, sobretudo as que cortam o sul da Bahia, nunca estiveram tão em evidência nos últimos meses. Afinal, certos trechos dessas rodovias, frequentemente, são palcos de protestos, que "fecham" a pista até por horas a fio. O resultado é, na maioria das vezes, o mesmo: congestionamento, transtornos e muito trabalho para a polícia, principalmente, a Rodoviária Federal, responsável pelas negociações.
No entanto, essas interdições podem estar com os dias contados. É que a Polícia Rodoviária Federal já garantiu que não vai mais permitir manifestações seguidas de bloqueios de estradas. Em entrevista ao Diário Bahia, o inspetor Marcos Vinícius Rodrigues, chefe da 5ª Delegacia da PRF em Itabuna, foi categórico: "A PRF hoje está preparada para ficar, se preciso for, um mês, seis meses ou um ano".
E quem pensa que as ordens partiram daqui está enganado. Segundo Vinícius, a determinação para coibir o fechamento das rodovias federais veio do Ministério da Justiça, autorizado pela presidente Dilma Rousseff. "Temos o patrulhamento e monitoramento das BRs 101 e 415 o dia e a noite toda", reforçou o policial.Inspetor Marcos Vinícius: a PRF não vai mais permitir o bloqueio de pistasInspetor Marcos Vinícius: a PRF não vai mais permitir o bloqueio de pistas
Alguns locais já se tornaram o alvo predileto de muitas manifestações. O trecho que dá acesso ao município de Buerarema – BR-101 –, por exemplo, foi interditado, do ano passado até agora, quase 10 vezes. O protesto mais recente durou aproximadamente 12 horas e repercutiu em todo o país.
Outro movimento que gerou, inclusive, confronto entre policiais e manifestantes foi o que "fechou" a avenida J.S.Pinheiro, em Itabuna. A via, na BR-415, próximo ao bairro Lomanto, foi tomada no último domingo, 16, por amigos e familiares do menino Nadson Almeida, morto após um acidente.
Áreas de conflitos
Recentemente, o inspetor Moisés Dionísio, da PRF do Distrito Federal, esteve em Itabuna, quando a cidade recebeu um grupo de policiais de várias partes do país. Tudo com o objetivo de garantir a fluidez do trânsito na BR-101, considerado o principal eixo rodoviário do Brasil.
A vinda dele foi logo depois daquela manifestação dos produtores rurais em Buerarema. "Nós não vamos permitir mais a interdição da BR-101, em qualquer ponto que seja, na área de conflito", enfatizou Dionísio, na época, numa entrevista ao Balanço Geral, da Rede Record.
De acordo com ele, existe todo um plano de emergência traçado para agir imediatamente no caso de um fechamento. "Vamos sobrevoar com uma aeronave. Vão ser formados agrupamentos que vão isolar a rodovia e, a partir desse momento, deslocaremos uma força de choque ou força de controle de distúrbios, para que desinterdite a rodovia com equipamentos e tecnologias de menor potencial ofensivo", calculou, diante de um bloqueio.
Ainda sobre a operação, sem data para terminar, o inspetor Moisés informou que a PRF conta com um grupo especializado em desinterdição de rodovia, além de uma equipe de patrulhamento. "Se houver necessidade, tenho a capacidade de mobilizar, em 24 horas, 100 homens para qualquer parte do país, inclusive aqui em Ilhéus", garantiu.
Mais protestos
Voltando à conversa com o inspetor Marcos, ele explicou que a PRF trabalha em conjunto com as polícias Federal, Civil, Militar, Força Nacional e agora com o Exército Brasileiro. "Cada um com sua função, mas sempre trocando informações para transmitir segurança à população", frisou.
O policial informou que, somente na região de conflito, 24 policiais rodoviários federais se encarregam de fazer a fiscalização diariamente nas rodovias. "Temos também 35 policiais da Tropa de Choque para abrir a pista, em caso de interdição, e fazer o trânsito fluir. Ou seja, garantir o direito de ir e vir do cidadão", acrescentou.
Para Vinícius, "fechar" a BR-101 interfere significativamente na economia do país, já que possui um fluxo gigantesco de veículos. "E cada fechamento de pista chegou a provocar cerca de cinco quilômetros de congestionamento", citou, lembrando, especialmente, o último protesto protagonizado por fazendeiros.
Levando em consideração que, por enquanto, pelo menos até o fechamento dessa matéria, tudo estava aparentemente tranquilo, perguntamos ao inspetor: quais as perspectivas para o futuro? Ao que ele deixou claro que as expectativas não são das melhores. "O nosso objetivo é garantir a paz nas estradas. Com essa onda de manifestações no país, com certeza teremos mais protestos até a realização da Copa do Mundo", ressalvou.
Tarefa árdua
Numa análise sobre os movimentos que têm ocorrido no sul da Bahia, o inspetor afirmou que o processo de negociação é uma tarefa árdua e requer muita tática e sabedoria. "Até hoje, as maiores foram dos produtores rurais e tivemos outras contra a fiscalização do transporte clandestino. Na maioria das vezes tivemos sucesso ao negociar com as lideranças dos movimentos, mas para gerenciar tudo isso é complicado", relatou.
E ele explica: "Tocam fogo em pneus, jogam árvores na estrada, incendeiam veículos oficiais e o transtorno causa trabalho ao SAMU, aos Bombeiros, à PM, Polícia Civil e principalmente à PRF, que depois ainda tem que orientar o trânsito até a sua normalização, para evitar acidentes", observou.
O inspetor Marcus deixou transparecer certa preocupação com o clima de insegurança que ainda paira sobre a região, consequência dos conflitos entre indígenas e produtores. Porém, segundo ele, só resta esperar e torcer para que o governo Federal resolva logo a situação da demarcação. "Pedimos à população que mantenha a calma, pode se manifestar, mas sem vandalismo, sem violência. Tenhamos paz na região", conclamou.
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