‘Forças Armadas não são a solução para os nossos presídios’, afirma chefe do MP-BA


A procuradora-geral de Justiça da Bahia, Ediene Lousado, diante da autorização do uso das Forças Armadas em penitenciárias estaduais, caso seja necessário, diante de uma rebelião, afirmou que a solução apresentada pelo governo federal não resolve a questão. “As Forças Armadas não são a solução para os nossos presídios. Muito pelo contrário, em momentos de crise, pode até ser necessário, mas a permanência deles no sistema prisional, de forma alguma, é solução para qualquer melhoria do sistema que temos”, pontua. A chefe do Ministério Público da Bahia (MP-BA) afirma que é “um risco” a permanência de tropas nos presídios, pois parte do contingente militar pode ser cooptado pelos detentos, como ocorreu no México, com o Cartel Los Zetas. “Nós temos que lutar para que isso não venha a acontecer. Eu não acredito que a polícia armada esteja dentro dos presídios por mais tempo do que o necessário. O necessário no Rio Grande do Norte agora, no Amazonas, recentemente, a gente sabe que foi preciso, mas a permanência ad eternum, de forma alguma é permitido”, destaca. Ao Bahia Notícias, Ediene ainda afirma que o MP criou um grupo de trabalho para fazer um diagnóstico da situação carcerária baiana, pois tem ocorrido diversas fugas no interior do estado. “Nós estamos em risco de, em algum momento, ter uma rebelião, como temos visto em outros estados. Nós precisamos fazer parar as fugas, e evitar as rebeliões”, avalia. A procuradora também disse não acreditar na construção de presídios como forma de solucionar a crise carcerária brasileira. “Eu acredito no investimento em escolas e em políticas públicas. Eu não acredito em construção de presídios, embora seja um mal necessário. Nós precisamos aparelhar o Estado para que as pessoas tenham oportunidades iguais. Isso é o que precisa ser feito. Eu sou contrária a cultura do encarceramento, mas como disse antes, é um mal necessário. Vamos trabalhar para que a população tenha mais escolas, os nossos jovens e adolescentes, esses 3,5 milhões jovens que estão fora das escolas, para quem entrem nas escolas, para que não engrossem ainda mais a fileira de presidiários. Esse é o país que eu quero acreditar: mais escolas e menos presídios”, frisa.
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