Centrão cobra cargos e ameaça travar reforma da Previdência


Líderes de partidos aliados avisaram ao presidente Michel Temer que não pretendem retomar as articulações para votar a reforma da Previdência no plenário da Câmara até que o governo reorganize a base aliada. Parlamentares do Centrão – grupo do qual fazem parte PP, PSD e PR – e até do PMDB querem que o Palácio do Planalto faça uma redistribuição de cargos que estão nas mãos de “infieis”, ou seja, dos que votaram na Câmara pela admissibilidade da denúncia contra Temer.Nos bastidores, integrantes do Centrão se dizem dispostos até a paralisar ou derrotar a agenda econômica que tramita no Congresso. O primeiro alvo seria a medida provisória que cria o Refis, programa de parcelamento de dívidas de contribuintes com o Fisco com o qual o governo conta para fechar as contas públicas deste ano.A estratégia será ignorar a negociação que o governo vem tentando fazer e trabalhar para aprovar o texto do relator, deputado Newton Cardoso Jr. (PMDB-MG), considerado mais benéfico para empresas. O deputado modificou a versão enviada pelo governo ao Congresso e colocou condições mais favoráveis aos devedores, como o perdão de até 99% de juros e multas. Com isso, a previsão de arrecadação caiu de R$ 13 bilhões para R$ 420 milhões com o programa.Interlocutores de Temer minimizaram as pressões. Auxiliares do presidente disseram que ele continuará investindo em conversas com os parlamentares da base como fez antes da votação da denúncia. Interlocutores afirmaram também que o trabalho de avaliar cargos e emendas será feito pelos ministros da Casa Civil, Eliseu Padilha, e da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy.Em entrevista ao Estadão/Broadcast na semana passada, o presidente disse que não é refém do Centrão e ressaltou que dialoga muito com o Congresso. Líderes partidários, contudo, deixaram claro a barganha.”Decidimos não votar a reforma da Previdência. Só retomaremos o diálogo quando o governo se comunicar melhor e quando resolver quem é base e quem é oposição”, afirmou à reportagem o líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira (AL).
Estadão
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