Itambé dá exemplo ao país de que é possível governar com responsabilidade e poucos recursos


Enquanto o serviço público federal entra em colapso com a completa falta de recursos, resultado dos cortes promovidos pelo governo Temer para se atingir a estonteante meta fiscal de R$ 139 bilhões, a 566 km de Salvador, no Centro-Sul Baiano, em uma pequena cidade com pouco mais de 20 mil habitantes, um modesto prefeito, que está longe de ter se formado em Harvard, se antecipa ao desastre eminente que os caixa das prefeituras sofreram com a brutal queda da arrecadação dos últimos anos, e adota um ortodoxo programa de responsabilidade fiscal para evitar a crônica de uma falência anunciada do município. “Ou assumo posições corajosas e responsáveis em nome do bem estar comum da maioria da população, ainda que eventualmente desagrade uma minoria, ou simplesmente a prefeitura quebra”, afirma Eduardo Gama, prefeito de Itambé. Gama sentiu de longe os primeiros ventos das vacas magras financeiras se aproximando. Preferiu não dar sorte ao azar. Reuniu assessores, se debruçaram sobre os números e indicadores do município e concluíram o óbvio: precisariam cortar. Cortar, cortar e cortar. Cortar. O verbo não é estranho ao substantivo. O corte está na origem da palavra Itambé, que, em tupi, significa “pedra afiada”. Da assessoria, o programa de redução de gastos passou a ser discutido por um fórum maior, os oito vereadores e representantes de entidades da sociedade civil organizada. “Era preciso cortar e começar na própria carne. Para dar o exemplo”, disse Gama. E o exemplo recaiu sobre os comissionados. Diversos foram demitidos Nem a tradicional festa da cidade escapou da pedra afiada do prefeito. Para manter em dia os salários de professores, médicos e enfermeiros e garantir a manutenção e investimentos dos setores de assistência social, educação, saúde e infraestrutura do município de Itambé, o titular da prefeitura da cidade, Gama, foi obrigado enxugar os festejos marcados para este mês. O evento que marcaria o aniversário da cidade, de 10 a 13 próximos, e contaria com atrações musicais ao vivo, foi reduzido para dois dias, mantendo apenas a programação cívica, religiosa e esportiva. O impasse que se coloca é: mantêm-se a política dos cofres da prefeitura bancarem os altos custos dos shows ao vivo bancados pelos cofres da prefeitura os se canaliza esses recursos para a compra de remédios para a população e investimentos para as salas de aula dos filhos do cidadão itambeense? “Ficarei sempre com a segunda opção”, responde, de pronto, o atual prefeito, segundo o qual, “shows podem esperar por dias melhores nas finanças da Prefeitura, a saúde da população, não”. Tido como um gestor público responsável, eficiente e transparente, Eduardo Gama tem transformado Itambé em uma ilha de excelência nas contas públicas cercada de cidades falidas por todos os lados. Todos os municípios da Bahia, sobretudo as localizadas no entorno de Itambé, passam por dificuldades e vivem uma situação desesperadora. “Um retrato do quadro em que nos encontraríamos não fosse a decisão que todo o homem público deve tomar visando o bem público, quando a necessidade assim exige”, disse Gama, segundo o qual, se não tivessem agido dessa forma a sociedade de Itambé estaria sofrendo as consequências no curtíssimo prazo. “Em pouco tempo faltariam recursos para educação e saúde no município se optasse por uma decisão populista de investir em festa e manter inchado o quadro de funcionários. Há um momento em que a população tem que decidir que sociedade ela pretende construir e deseja do prefeito que elegeu. Há o caminho mais fácil, do pão e circo, mas que todos perdem. E o mais penoso, que exige sacrifício coletivo, mas que no final, todos saem ganhando. A escolha é da sociedade”, finalizou Eduardo Gama.
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