Jornais dos EUA e Europa destacam vitória de Temer na Câmara



A imprensa nos EUA repercutiu a vitória do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados, que barrou a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de corrupção passiva contra o presidente. Temer obteve 263 votos favoráveis, quando precisava de apenas 172.


O site do The New York Times traz reportagem cujo título é "legisladores brasileiros rejeitam acusação de suborno do presidente Michel Temer." O artigo, assinado por Ernesto Londono, aponta que deputados escolheram "manter um líder profundamente impopular no cargo e evitar outra onda de turbulência política."

De acordo com o jornal americano, vários parlamentares apoiaram o presidente porque avaliaram que o País não poderia continuar com mais crise política. "Mas oponentes disseram que permitir o senhor Temer a continuar (no cargo) contribui para o endosso da cultura de impunidade que tornou penetrante a corrupção na política brasileira."

A reportagem também destacou que Temer tem 5% de aprovação de acordo com pesquisa realizada pelo Ibope, o que o "torna menos popular" que a sua antecessora, a ex-presidente Dilma Rousseff, que registrou 9% no final de 2015.

O The Washington Post destacou em seu site que Michel Temer "sobreviveu" às acusações de corrupção feitas pela procuradoria-geral da República com a votação na Câmara dos Deputados. "O presidente estava determinado a continuar no poder e agressivamente cortejou o apoio de legisladores" inclusive dentro da sessão no plenário, que durou mais de 11 horas.

"Com mais de 80% dos brasileiros a favor de enviar o presidente a julgamento, de acordo com pesquisas, a decisão da Câmara foi um testamento de manobra habilidosa do presidente", cujo apelo era a busca de maior estabilidade política e econômica no País, destacou a reportagem de Marina Lopes. O artigo ressalta que Temer é acusado de ter recebido o equivalente a US$ 150 mil como parte de US$ 12 milhões em subornos envolvendo uma empresa de carnes, no caso a JBS, que ele teria sido beneficiado através de um assessor. O presidente negou as acusações e não aceitou pedidos de renuncia.


O The Wall Street Journal apontou que a vitória do presidente da República mostra que ele tem capital político suficiente para defender-se de eventuais novas denúncias que poderão ser feitas contra ele nas próximas semanas pela procuradoria-geral da República. A reportagem levada ao ar na internet destaca que Michel Temer dedicou energia e recursos para ter o apoio necessário de deputados "aprovando US$ 1,3 bilhão em financiamento de projetos para seus Estados", de acordo com a ONG Contas Abertas. "isso mostra o relacionamento comercial entre os poderes legislativo e executivo", disse o diretor da instituição Gil Castelo Branco, aos jornalistas Samantha Pearson e Paulo Trevisani.

As redes de TV ABC News e Fox News trazem em seus respectivos sites reportagem produzida pela Associated Press a respeito da votação favorável ao presidente na Câmara dos Deputados.

"Enquanto Temer foi claramente vitorioso, ele provavelmente não terá muito tempo para celebrar", destacou o texto, assinado por Peter Prengaman e Maurício Savarese levado ao ar no site da ABC News. A reportagem aponta que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que denunciou Temer por corrupção passiva, deverá acusá-lo por obstrução de Justiça no final deste mês. Tal fato poderá gerar uma segunda votação na Câmara, onde os aliados políticos do presidente poderão "colocar em risco o futuro político" apoiando um "líder profundamente impopular." 

EUROPA

Os principais veículos de comunicação da Europa também destacaram na noite desta quarta-feira a rejeição na Câmara da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB). A capacidade de articulação política do peemedebista, as disputas no Plenário e a pouca presença da população foram ressaltadas pelos jornais e TVs do continente.

A rede britânica BBC afirmou que o peemedebista sobreviveu à denúncia em uma sessão marcada por "cenas de caos e exacerbação de raiva" e disse que o presidente viu afastada a primeira ameaça a seu mandato. A matéria do site acompanha um vídeo em que deputados brigam pro causa de boneco do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário - o chamado "pixuleco".

O jornal britânico Financial Times destacou a matéria em uma chamada no site e disse que agora os investidores acompanharão se Temer terá apoio político para aprovar o programa de reforma fiscal, que, segundo o veículo, "descarrilou após as denúncias de corrupção".

A edição da Espanha do jornal El País afirmou que "os mesmos deputados que há 15 meses deram luz verde para derrubar a então presidente Dilma Rousseff por maquiar as contas públicas salvaram nesta quarta-feira seu sucessor". "Poucos como Temer conhecer as manhas para captar as vontades da política brasileira", diz a matéria do jornal, que diz que o presidente teve êxito em superar os obstáculos na Câmara.

O jornal português Diário de Notícias afirmou que Temer enfrenta agora outros três desafios: aprovação baixa, recuperação pouco firme da economia e eventuais novas denúncias apresentadas pelo Ministério Público.

"Além do iminente acordo de delação premiada de Eduardo Cunha, ex-aliado do presidente hoje detido na Operação Lava-Jato, que se prevê possa vir a ter conteúdo explosivo para o governo", disse o jornal, que publicou mais cedo um vídeo com um pequeno protesto em Lisboa contra o presidente brasileiro.

Já o Público, também português, disse que, apesar de vitória na Câmara, o futuro de Temer "não está garantido" e que o Congresso do Brasil "vive numa realidade alternativa à do comum dos brasileiros", citando pesquisas de opinião que mostram que a maioria da população desejava a saída do presidente.

O francês Le Monde destacou ainda a indiferença das ruas à votação e a TV alemã Deutsche Welle falou em poucos manifestantes contrários a Temer em Brasília.
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