Brasil e Paraguai fazem primeiros exercícios militares juntos; entenda



O Brasil e o Paraguai realizam, desde a última segunda (18) até esta sexta-feira (22), um exercício militar inédito com emprego de tropas entre os dois países. Atuantes no combate ao tráfico e à criminalidade na divisa, os Exércitos brasileiro e paraguaios vão simular um ataque de companhia de fuzileiros mecanizados.


"Anteriormente já tivemos exercícios de planejamento a nível de Estado-Maior, mas pela primeira vez agora há o emprego de tropas paraguaias e brasileiras em território nacional. O objetivo é ampliar os laços de intercâmbio e amizade entre os dois países. Nossa operação em Cascavel, no Paraná, envolve preparação para combate convencional, ênfase em operações ofensivas com emprego dos meios mecanizados (veículos blindado) que têm capacidade de fogo e de choque muito maior", relata com exclusividade à Sputnik Brasil, o oficial de comunicação da 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro, major Rodrigo Ribeiro.

De acordo com o militar, a colaboração entre as forças das nações vizinhas não visa o patrulhamento de fronteiras, mas pode ajudar no trabalho de coibição de atos ilícitos em ambos os lados. "O problema da Tríplice Fronteira é antigo, a facilidade muito grande, especialmente aqui no Paraná, em três pontos, favorece a passagem de cargas ilícitas e o tráfico de armas e drogas que ajudam na elevação de criminalidade do país", conta o major.

A simulação de ataque prevista para sexta-feira deve marcar o encerramento do primeiro ciclo que envolve colaboração mais próxima entre Paraguai e Brasil neste sentido. "Há um intercâmbio grande com Paraguai e Argentina, os exercícios [com tropa] serão repetidos. Certamente interessa ao nosso país para que junto conosco desenvolvamos uma nova doutrina para uso de infantaria mecanizada", completa o militar.

Colaboração deve ser constante, avalia especialista

A colaboração entre o Brasil e o Paraguai é antiga, vem desde antes da Guerra do Paraguai. Tanto é assim que boa parte dos blindados paraguaios foram fornecidos pelo Brasil após a Segunda Guerra Mundial. O aumento do contrabando, porém, é sentido nas metrópoles dos dois países e a cooperação de tropas militares precisa ser frequente, avaliou à Sputnik Brasil o especialista em temas militares Pedro Paulo Rezende.

Rezende já acompanhou as chamadas Operações Ágata, procedimentos reais de patrulhamento da fronteira brasileira e garante: o problema é crônico e demanda investimento.


"Temos uma área grande de divisa seca com o Paraguai que envolve fazendas localizadas exatamente na fronteira, tudo muito sensível, muito permeável. Tanto é assim que o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, o Sisfron, começou a ser implantado em Dourados, no MS, na fronteira com o Paraguai. Durante à noite, há um movimento intenso ali nos rios Paraguai e Paraná onde se apreende de tudo, drogas, armas, dinheiro ilícito", conta.

Concebido em 2010, o Sisfron ainda carece de verbas. R$100 mi já foram gastos na implantação do módulo inicial, fala-se em R$12 bi até 2021. Rezende, porém, estima que um sistema totalmente operante e eficiente consumiria no mínimo US$ 20 bi. Com informações da Sputnik News Brasil.
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