Depoimento de Lula a Moro; veja como foi a troca de farpas



Com cerca de duas horas, o segundo depoimento do ex-presidente ao juiz Sergio Moro chegou ao fim às 16h26, desta quarta-feira (14). O primeiro, em 10 de maio, tratava de outra acusação –a do tríplex, pela qual foi condenado a nove anos e seis meses de prisão-- e levou cerca de cinco horas.


A audiência desta quarta estava ligada a suspeitas da participação de Lula em um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras. Durante todo depoimento, houve trocas de farpas entre o juiz e o réu, em mais um capítulo dessa novela da política brasileira.

Em depoimento, Lula voltou a dizer que é inocente das acusações a que é imputado e criticou a perseguição do Ministério Público Federal contra ele. Por sua vez o juiz da primeira instância de Curitiba fez questão de declarar ser parcial em seu julgamento.

Questionado por Moro se sabia se Palocci estava envolvido nas negociações para a compra do imóvel, Lula respondeu que ““se ele estava envolvido ou não, é problema dele, mas não quero que ele me envolva. Tentar jogar nas minhas costas uma coisa que só ele sabia, parecia que eu era um cadeirante e ele que empurrava minha cadeira. Ele nunca conversou comigo sobre esse terreno”.

O ex-presidente ainda refutou a confissão de Palocci de que atuou com Lula para obstruir as investigações da Lava Jato. “E ele termina o depoimento dele da forma magistral que o Ministério público queria que ele terminasse: o Lula conversou comigo sobre obstrução de Justiça. Eu venho ouvindo isso, mas, se tem um cidadão no país que tirou o tapete da sala para que a podridão aparecesse, se chama Luiz Inácio Lula da Silva. Portanto, eu não admito que ninguém diga que eu obstruí a Justiça”.

E continuou: "Mas de qualquer forma, eu fiquei vendo o Palocci falar, sabe o que eu penso? Eu não tenho raiva do Palocci, eu tenho pena dele. Porque o Palocci é um quadro político excepcional da qual esse país não tem muitos", disse Lula.

Eu vi o Palocci mentir aqui", afirmou. Lula chamou o ex-ministro de "calculista e frio" e disse que Palocci só citou seu nome na tentativa fazer delação premiada e reduzir alguns anos de condenação.

"Ele fez um pacto de sangue com os delatores, com os advogados deles e talvez com o Ministério Público", afirmou Lula, em referência ao "pacto de sangue" que Palocci afirmou haver entre Lula e a Odebrecht, incluindo um pacote de propinas de R$ 300 milhões.

Sobre o apartamento, Lula afirmou que não pediu a ninguém a compra do imóvel vizinho ao seu em São Bernardo do Campo. Ele também negou ter participado do contrato de locação do apartamento e disse que o local era usado por seguranças e também para reuniões políticas.

"Eles [a força-tarefa da Lava Jato] inventaram que o triplex era meu porque 'O Globo' disse e não é, o senhor sabe disso. Agora, inventaram que o apartamento é meu, e não é, e eles sabem disso. Como inventaram a história do sítio, que é meu, e não é. Ou seja, três denúncias do Ministério Público por ilação, porque eles têm a ideia de transformar o Lula no power point deles", afirmou Lula.

No final do depoimento, Lula questionou a imparcialidade de Moro e foi repreendido pelo juiz, que então encerrou o depoimento. O ex-presidente perguntou: "Eu posso olhar na cara dos meus filhos e dizer que eu vim a Curitiba prestar depoimento a um juiz imparcial?"

"Primeiro, não cabe ao senhor fazer esse tipo de pergunta pra mim, mas, de todo modo, sim." Lula então diz, em referência à condenação em primeira instância pelo triplex do Guarujá: "Porque não foi o procedimento na outra ação, doutor".

Moro rebateu e encerrou o depoimento: "A minha convicção foi de que o senhor foi culpado. O senhor apresente as suas razões no tribunal"
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