Ferraz afirma ter entregue mala com dinheiro a Geddel e nega saber origem de valores



Preso em setembro do ano passado após ter sua impressão digital localizada em mala no apartamento da Graça que guardava R$ 51 milhões atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira Lima, Gustavo Ferraz afirma que entregou ao peemedebista a bagagem – em depoimento à Polícia Federal, ele já havia confessado ter buscado dinheiro em espécie no ano de 2012 em São Paulo, a pedido de Geddel. “Foi entregue a quem de direito, a quem eu devia repassar. Foi entregue a Geddel. E ele ficou de resolver, de repassar para as campanhas, enfim... do que eu imaginei que fosse ser feito. E que deve ter sido feito, não sei...”, afirmou Ferraz, em entrevista ao jornal A Tarde. O ex-diretor da Defesa Civil de Salvador nega ter se beneficiado politicamente ou financeiramente da entrega. “A história precisava de alguém que tivesse ajudado. E o tempo passou e não sou essa pessoa. Até porque, você há de convir que é incompatível com os meus bens, é incompatível com minha história política, é incompatível com a origem da minha família por exemplo... a minha fiança foi paga pela minha mãe, estou desempregado - fiança de 100 salários mínimos, depois conseguimos reduzir pela metade”, argumentou, reconhecendo como “erro” ter ido buscar o dinheiro em São Paulo. “Quando foi feita a busca e apreensão [na casa dele, em Vilas do Atlântico] só encontraram dois celulares, um computador e um jingle de campanha. As pessoas que me conhecem, tá certo, que convivem comigo, me defendem. Sou pessoa de classe média. Eu nunca me envolvi com coisas que são erradas. Talvez o único erro que eu cometi nessa história toda foi não perguntar a origem do dinheiro [que foi buscar em São Paulo em 2012]. Mas já passou, e eu estou pagando por isso”, lamentou. À época, Geddel presidia o PMDB, ao qual Ferraz é filiado.” As pessoas do partido...Geddel era o presidente...'você pode pegar uma contribuição de campanha pra mim?'. Porque não? Posso. Talvez meu erro tenha sido não perguntar: 'vem cá, da onde é esse dinheiro?'. Talvez poucas pessoas pudessem fazer essa pergunta. Talvez o meu erro, talvez, tenha sido não questionar. Mas como funcionário que era, está certo, talvez poucos na minha função perguntassem”, conta. “Eu com a filha recém-nascida, tendo que pagar minhas contas, você vai se insubordinar à pessoa que está ali... que de uma certa forma te mantém, com a sua vida regular? Com suas contas pagas e etc? Meu emprego dependia disso, não é verdade?”, acrescenta.


Sobre suas relações com Geddel, ele diz que era um funcionário do partido e atuava na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). “Era contratado como assessor de bancada da liderança do PMDB na Assembleia Legislativa da Bahia com uma remuneração de R$ 3 mil”. Questionado sobre o dono do dinheiro, Ferraz afirma não saber a origem dos valores. Ele relata ter ido a um hotel, onde receberia a mala. “Eu fui ao hotel e fiquei esperando a pessoa chegar. A pessoa chegou, me levou ao local onde eu ia pegar o recurso. Deveria ser o que: uns R$ 300 mil mais ou menos... um pouco menos, um pouco mais do que isso, não sei. Está certo? Mas nada absurdo. Daí a você saber a origem [do dinheiro]... não tem nenhuma caracterização. Foi tudo muito rápido. Eu estava aqui [no hotel], sentei um pouco, daqui a pouco vem o cara e diz 'está lá, depois o carro vai te levar no aeroporto'.”, detalhou. Para transportar o dinheiro, viajou de volta a Salvador em um voo particular. “Claro que você não vai circular isso pelas vias normais né, em um embarque de passageiros com dinheiro de campanha. Embarquei em Congonhas, não foi em avião de carreira, foi em avião particular. Agora, quem é o dono, eu não sei. Cheguei [em Salvador], entreguei o recurso e tal e... fiz a minha parte, está certo?”. Segundo Ferraz, sua digital ficou registrada após ele abrir a mala para conferir se havia dinheiro em seu interior. “E está lá a minha digital porque eu talvez eu tenha aberto a mala para mostrar que de fato o dinheiro estava lá, não tinha tirado nada. Não tem digital nenhuma em cédulas. Estava em saco plástico. Era um recurso envolvido no saco com a etiqueta do Banco do Brasil. Nesse pegar para mostrar foi que a digital ficou. A digital do dedo anelar direito, metade do dedo”. Ferraz diz ter conhecido “de vista” o ex-assessor parlamentar do deputado federal Lúcio Vieira Lima, Job Ribeiro, que também teve digitais encontradas no dinheiro do ‘bunker’, como o apartamento foi apelidado – ele nega ter trocado e-mail com o funcionário, no entanto. Ferraz também nega ter declarado à polícia que se sentiu traído por Geddel. “Ele [o delegado] me perguntou! Eu não respondi. Ele colocou: 'ele se sentiu traído por Geddel'”, destacou.
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