'Minha filha não vai sair de bandida', diz Roberto Jefferson



O presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou neste sábado (3) à Folha que não desistirá da nomeação de sua filha, a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ), ao Ministério do Trabalho e que ela não "vai sair de bandida" após a divulgação de que é investigada por suspeita de associação ao tráfico de drogas durante a campanha eleitoral de 2010.

"Não vamos desistir da indicação, tem que levar até o fim a votação no Supremo Tribunal Federal. Minha filha não vai sair de bandida", afirmou Jefferson.

O inquérito foi aberto pela Polícia Civil do Rio em 2010 a partir de uma denúncia anônima segundo a qual pessoas que trabalhavam para ela teriam pago traficantes de Cavalcanti, bairro da zona norte do Rio, para ter "direito exclusivo" de fazer campanha na região. A informação foi publicada pelo jornal "O Estado de São Paulo" e confirmada pela Folha.

O deputado estadual Marcus Vinicius (PTB), ex-cunhado da parlamentar, também é citado no inquérito.

Naquele ano, Cristiane ocupava um cargo de secretária municipal na gestão de Eduardo Paes (PMDB) e não era candidata, mas apoiava a candidatura de Marcus Vinicius.

Eles são acusados de dar dinheiro a traficantes de Cavalcanti, bairro da zona norte do Rio e um dos redutos eleitorais da deputada, para ter "direito exclusivo" de fazer campanha na região.

O inquérito ficou parado até 26 de janeiro deste ano, quando foi encaminhado para o Ministério Público Estadual, que por sua vez o repassou ao Ministério Público Federal, já que Cristiane ganhou foro privilegiado ao ser eleita deputada federal, em 2014.

A investigação deve ser encaminhada nesta segunda-feira (5) à PGR (Procuradoria Geral da República), em Brasília.

Cristiane Brasil já foi condenada por dívidas trabalhistas, e a Justiça Federal em Niterói (RJ) suspendeu sua posse sob o argumento de que ela não atende ao requisito de moralidade administrativa para o cargo, previsto na Constituição.

Roberto Jefferson afirmou que a acusação é "leviana" e que sua filha não era candidata em 2010.

"A matéria é indecente. É um absurdo. Minha filha tinha entrada na comunidade porque era secretária da terceira idade. É uma acusação leviana", disse o presidente do PTB.

Segundo ele, há "ódio e perseguição" contra sua filha, que trava uma batalha judicial há semanas para conseguir tomar posse como ministra.

Temer insiste no discurso de que vai esperar a palavra final do STF sobre a nomeação de Cristiane --a presidente da corte, ministra Cármen Lúcia, impediu a deputada provisoriamente de tomar posse e o tribunal deve decidir em breve sobre o assunto.

A tese de Temer e de seus principais auxiliares é a de que, apesar do desgaste gerado ao governo, a prerrogativa de nomear e exonerar ministros é do presidente da República e que, se sucumbirem, abrem espaço para qualquer juiz de primeiro grau impedir novas indicações na Esplanada.

Jefferson articulou o apoio da bancada do PTB na Câmara para a reforma da Previdência, principal bandeira do governo e que pode ser votada em fevereiro. A indicação de Cristiane foi uma forma de Temer retribuir o esforço do pai da deputada.

O presidente do PTB admite que há desgaste, mas que é preciso "segurá-lo". "Claro que há desgaste, mas vamos segurar até o fim".

Mesmo após as novas denúncias contra Cristiane, os principais assessores de Temer dizem que vão aguardar a decisão do STF sobre o tema e que, antes disso, o presidente só substituiria a indicação a pedido do próprio Jefferson, com aval do PTB.

Cristiane já foi condenada por dívidas trabalhistas e a Justiça Federal em Niterói (RJ) suspendeu sua posse sob o argumento de que ela não atende ao requisito de moralidade administrativa para o cargo, previsto na Constituição.

Ela e Marcus Vinicius não foram localizados pela Folha.
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