Ex-controlador: há sistema estruturado de corrupção na prefeitura de SP



Ex-controlador da Prefeitura de São Paulo Guilherme Mendes afirmou, nesta sexta-feira (20), que a administração municipal possui um sistema estruturado de corrupção que opera independente do partido ou da pessoa que estiver a frente dela. A declaração foi feita em entrevista dada à rádio CBN.


"Nesses meses em que eu estive na Controladoria, percebi que existe um sistema estruturado que atende a interesses difusos de diversos partidos e diversas agremiações. Você tem práticas corriqueiras. Por exemplo: cobrar dinheiro de ambulantes, deixar de fazer notificações, fazer notificações e multas a menor. Isso tudo muitas vezes ocorre com servidores que estão ali e que trabalharam e vão continuar trabalhando com diversas administrações de diversos partidos."


"Existem servidores, sim, que estão ali para fazer negócios, para corromper e para serem corrompidos. E não tem uma coloração político-partidária", continua ele. "Eles estão ali para proveito deles ou para sistemas outros que a gente vai desvendando ao longo dos casos. Acho que desde sempre."

Mendes chefiou a Controladoria-Geral do Município por oito meses até ser demitido pelo prefeito Bruno Covas. Nesse tempo, diz ter identificado algumas pastas mais sensíveis à prática de corrupção, citando as secretarias da Saúde e da Educação, que seriam mais "apetitosas" por terem recursos em abundância.

Sobre casos específicos, ele revelou um esquema de desvio que envolveria mais de 30 empresas de áreas sociais e teria resultado em um rombo de R$ 50 milhões aos cofres. "As entidades recebem dinheiro público de acordo com suas expertises. E muitas vezes elas não prestavam os serviços em suas totalidades ou da forma como eram pagas e ficavam com esse excedente. O que havia era a não fiscalização", afirma.

Uma das investigações mais importantes tocadas por Mendes no comando da Controladoria, no entanto, é a da PPP (parceria público-privada) da iluminação pública de São Paulo, cujo contrato está atualmente suspenso por determinação da Justiça após vazamento de áudios do departamento de iluminação apontarem favorecimento.

Mendes avalia, também na entrevista, que o pedido da Controladoria para que a gestão suspendesse a PPP da iluminação pode ter pesado em sua demissão. "Essa é apenas uma das divergências inúmeras que acontecem. Não digo que tenha sido a maior do ponto de vista conceitual. Mas sem dúvida foi a que mais repercutiu dada a natureza e a grandeza desse contrato. Nós estamos falando do maior contrato da história."

Com a saída de Mendes, o novo controlador-geral será Gustavo Ungaro, ex-ouvidor-geral do Estado. Com informações da Folhapress.
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