Navio Com Mais De 200 Imigrantes Deve Atracar Em Malta Nesta Noite Após 6 Dias No Mediterrâneo.



primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, anunciou nesta quarta-feira (27) que o navio humanitário Lifeline com mais de 200 migrantes a bordo, recolhidos na costa da Líbia, seria autorizado a atracar na ilha, onde é esperado no início da noite.


A embarcação de uma ONG alemã foi recusada pela Itália e estava à procura de um porto há seis dias no Mar Mediterrâneo. De madrugada, voltou a solicitar permissão para atracar em Malta e indicou que "muitas pessoas a bordo sofrem enjoos" e que três delas tiveram de ser atendidas.



"Acredito que o navio vai chegar esta noite", disse Muscat em coletiva de imprensa, encerrando a odisseia de uma semana dos migrantes resgatados pelo navio de ajuda humanitária da ONG alemã Lifeline.




Um total de 8 países europeus receberão os migrantes - Malta, Itália, França, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Bélgica e Holanda.



Navio Lifeline de ONG alemã com imigrantes resgatados no Mar Mediterrâneo espera para desembarcar (Foto: Hermine Poschmann/Misson-Lifeline/Handout via Reuters)


"Os procedimentos para a identificação e redistribuição de pessoas entre os Estados membros (da UE) serão realizados garantindo os cuidados médicos necessários", continuou Muscat.




Investigação




O primeiro-ministro maltês afirmou que o navio seria sequestrado em sua chegada para a investigação, apontando que seu capitão "violou as leis internacionais".


"A situação foi causada pelas decisões do capitão do navio que agiu contra o direito internacional e ignorou as diretrizes das autoridades italianas", disse Muscat.



"O Lifeline será apreendido para lançar as investigações necessárias de acordo com as leis internacionais e nacionais", acrescentou.




Macron: 'cúmplices dos traficantes'




O presidente francês esteve terça-feira em Roma, onde foi recebido pelo Papa Francisco e tentou atuar como mediador em uma questão que complica suas relações com o governo italiano.


Macron chegou a retomar algumas das críticas da Itália ao papel das ONGs no Mediterrâneo, assegurando que a Mission Lifeline agiu "contrariando todas as regras" por se negar a entregar os migrantes à Guarda Costeira da Líbia.


"Acabamos sendo cúmplices dos traficantes (...) é de um cinismo terrível", disse Macron.




ONG: 'princípio de não devolução'




A ONG rebateu as críticas e defendeu sua posição.


"É preciso destacar que a única ordem que o navio se negou a obedecer foi a de entregar essas pessoas à Guarda Costeira líbia, porque teria ido contra a Convenção de Genebra sobre os refugiados e teria sido ilegal", disse a ONG em um comunicado.


Segundo a Mission Lifeline, com sede na Alemanha, obedecer a essa ordem teria sido "uma violação do princípio de não devolução".


Este princípio, definido em um artigo da Convenção de Genebra, supõe que nenhum Estado signatário "poderá, por expulsão, ou por devolução, pôr de modo algum um refugiado nas fronteiras dos territórios onde sua vida, ou sua liberdade corra risco por conta de sua raça, religião, nacionalidade, pertencimento a determinado grupo social, ou de suas opiniões políticas".


Segundo a ONG, os migrantes a bordo do "Lifeline" procedem de vários países africanos.


A ONG também foi acusada de navegar ilegalmente com bandeira holandesa. O governo holandês indicou que o navio não está registrado no país, ao contrário do que afirma a organização.
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