Chapas proporcionais: grupo de Rui é semelhante ao de 2014, mas o de Neto implodiu



As articulações políticas dos últimos dias são uma evidência de como a formação das chapas proporcionais para a eleição deste ano ganharam importância. Com a criação da cláusula de barreira, eleger deputados federais e estaduais se tornou questão de sobrevivência para alguns partidos, que não puderam se dar ao luxo de se colocarem em uma chapa "desfavorável". Na comparação com o pleito de 2014, o grupo político liderado por Rui Costa até conseguiu manter uma estrutura semelhante, mas o de ACM Neto passa por grandes diferenças na sua configuração. 



Em quatro anos, o presidente nacional do Democratas e prefeito de Salvador viu sua base política se dispersar na chapa proporcional. Em 2014, ele conseguiu reunir em um único grupo oito partidos. DEM, MDB, PSDB, Podemos, SD, PROS, PRB e PSC caminharam juntos na disputa entre deputados federais e estaduais. Este ano, o partido de ACM Neto só deve se reunir com PRB e PV. Duas legendas (Pros e Podemos) mudaram para o grupo aliado a Rui Costa e o MDB vai ser inclusive adversário na disputa pelo governo.



Até mesmo entre os partidos com pouca - ou nenhuma - representatividade no Legislativo a coesão dentro da base do prefeito de Salvador foi maior na eleição que aconteceu em 2014. Há quatro anos, PPS, DC, PTC, PV, PRP e Avante (atualmente aliado de Rui Costa) formaram uma coligação para eleger deputados estaduais e federais. Este ano, a perspectiva atual é que nenhuma chapa proporcional tenha mais do que quatro integrantes. 



BASE DO GOVERNO

Já no grupo do governador Rui Costa, apesar de algumas tensões na formação da proporcional (entenda aqui e aqui), a coesão se manteve. Em 2014, ele conseguiu reunir, na coligação com os partidos maiores, um conjunto de sete siglas para deputados federais. Marcharam juntos, na ocasião da primeira eleição do petista, PP, PDT, PT, PTB, PR, PSD e PCdoB. Em 2018, o agrupamento partidário manteve a mesma quantidade. Houve apenas três trocas. Entraram o PSB, que, em 2014, teve a candidatura de Lídice da Mata ao governo do Estado, e o Podemos. Por outro lado, saíram o PTB, que ingressou no grupo de Neto, e o PDT, que vai disputar a eleição para a Câmara dos Deputados sozinho, mas ainda continua na base do petista. Rui também perdeu o PSL, atual partido do candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, e o PPL. Ambos coligaram com legendas do arco de alianças de Neto. 



Para deputado estadual, a mudança não foi muito grande também. Em 2014, o grupo de Rui teve três chapas. Saíram sozinhos o PMN e o PCdoB, enquanto PP, PDT, PT, PTB, PR e PSD se juntaram em uma coligação maior. Neste ano, continuam as três chapas: PT, PSB, PSD, PP, PR, PDT, PRP, PMB, Podemos, Avante e Pros; PTC e PMN; e PCdoB. 



Para PSOL e PSTU, não houve alteração tanto em 2014 quanto em 2018. Os partidos, de certa forma antecipando nos últimos anos o cenário das eleições de 2020 - as coligações proporcionais serão extintas - não se aliaram a ninguém. 



Já o PRTB, que hoje tem como candidato o ex-prefeito de Salvador, João Henrique, também não enfrentou muitas mudanças. Em 2014, a coligação do partido foi com o PEN. Neste ano, o atual Patriota deu lugar ao Prona. 



O INFERNO ASTRAL DO MDB

O MDB é outro que enfrenta atualmente uma situação completamente diferente. Em 2014, foi um dos principais partidos da coligação que lançou Paulo Souto (DEM) na disputa pelo governo do Estado. Atualmente, desgastado pelo escândalo do bunker de R$ 51 milhões envolvendo os irmãos Geddel e Lúcio Vieira Lima, a sigla ficou isolada e obteve apenas o apoio do DC. 



PERSPECTIVAS DE GOVERNO E OPOSIÇÃO
Com tantas mudanças, o grupo de oposição é quem se vê mais fragilizado atualmente. Sem a candidatura de ACM Neto (DEM) ao governo do Estado, a bancada vive com o fantasma de ser reduzida, tanto no cenário federal quanto no estadual. Hoje, o grupo ligado ao prefeito de Salvador possui 14 deputados na Câmara e 20 na AL-BA. Já Rui tem ao lado 25 deputados federais e 43 estaduais. A perspectiva da bancada do governador é, pelo menos, manter esses números. Do outro lado, a luta agora é para implodir o mínimo possível.
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