Doria vai a igrejas e tenta conter efeitos negativos de vídeo sexual



Cristãos com BolsoDoria: os passos de um homem bom, [sic] são confirmados por Deus", diz o cartaz no derradeiro ato do candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, uma campanha nas ruas do Tatuapé (zona leste paulistana) com militantes com chapéu de tucano de pelúcia na cabeça. 

Os passos de Doria em particular estão sendo acompanhados de perto pela comunidade evangélica, inquieta desde o vazamento de um vídeo com o ex-prefeito supostamente participando de uma orgia. 

O presbítero Geraldo Malta, parte do núcleo cristão do partido e quem segura a faixa com o salmo bíblico e a recomendação do voto casado Doria governador, Jair Bolsonaro presidente, confessa: está preocupado.

"O vídeo atrapalhou muito", diz à Folha minutos antes da chegada do candidato. 

O apóstolo Agenor Duque, da Igreja Apostólica Plenitude do Trono de Deus, tinha boas relações com Doria e, em campanhas passadas, com outros tucanos, como Geraldo Alckmin e José Serra. 

Mas divulgou um vídeo não só declarando apoio ao oponente do ex-prefeito neste pleito, Márcio França (PSB), como classificando a participação (não comprovada) de Doria no sexo grupal como um "ato maligno". E ainda: "Quando o ímpio governa, o povo geme".

"O que aconteceu nesta semana, este vídeo aí, a igreja cristã, o povo de Deus... Nós abominamos esse ato maligno, diabólico", disse o líder religioso. 

A equipe responsável pelo contato de Doria com igrejas intensificou a agenda religiosa do chefe às vésperas da campanha. Na sexta (26), o tucano foi a dois templos da Mundial do Poder de Deus, do apóstolo Valdemiro Santiago, famoso por usar um chapéu de vaqueiro. Saiu depois das duas da manhã.

Reuniu, ainda, vídeos de pastores endossando a candidatura tucana —disparados para uma rede evangélica de contatos. Um deles menciona a gravação com a orgia, chamada de montagem.

Diz o missionário Ezequiel Pires: "Você pode ter certeza que as pessoas ficam subestimando a inteligência do povo. Ninguém acreditou naquele vídeo".

Outro a apoiar Doria foi o pastor Juanribe Paglairi, conhecido por divulgar uma carta aberta ao papa Francisco em 2013. Queixou-se, então, que a visita do pontífice ao Rio, para a Jornada Mundial da Juventude, custaria milhões aos cofres públicos. 

"Nada contra o outro candidato, mas ele é do Partido Socialista Brasileiro", afirma Paglairi numa filmagem ao lado de Doria. 

Ele argumenta, em seguida, que o socialismo é o primeiro passo para o comunismo. "Olha, vou falar uma coisa: a pessoa que é cristã não pode ser socialista. Está na cartilha do socialismo, o ateísmo."

Termina assim: "17 Bolsonaro, amém, governador, 45".

Já o apóstolo César Augusto (Igreja Apostólica Fonte da Vida) exalta o candidato tucano como aquele "que é a favor da família, ele acredita em Deus".

Nas últimas semanas, Doria "foi em todas as igrejas grandes", diz o pastor Luciano Luna, da Igreja Evangélica Poderoso Deus e também parte do núcleo cristão do PSDB. Entre os templos visitados, estão as Assembleias de Deus Belém e Madureira, a Renascer em Cristo e a Batista.

Em sua última fala à imprensa antes da eleição, o ex-prefeito se estendeu em agradecimentos à família, a Deus e a Jair Bolsonaro.

A poucos metros, algumas militantes gracejavam com o bordão de Cabo Daciolo, que concorreu a presidente pelo Patriota. Na versão delas, o "glória a Deus" virou "Doria a Deus".
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