Em votação dentro do roteiro, Rui sai com mais vitórias do que a simples reeleição



Acabou a festa da democracia de 2018. Pelo menos para os políticos baianos. Como previsto, o governador Rui Costa (PT) foi reeleito com uma ampla maioria de votos, com cerca de 76% dos votos. E o “time” dele, como usualmente o grupo político costuma chamar, foi eleito completo: Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD) garantiram as respectivas vagas ao Senado. Ou seja, tudo dentro do roteiro. No entanto, no plano federal, ainda haverá disputa entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) para ver quem chega ao Palácio do Planalto.



E, iniciada a reflexão pós-urnas, é possível avaliar que Rui Costa foi um dos grandes vitoriosos das eleições de 2018. Foi o petista com maior quantidade de votos do Brasil: quase 5 milhões. Proporcionalmente, teve um percentual menor que o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), também reeleito em primeiro turno. Porém, além de ter garantido a própria eleição e ajudado para que Wagner e Coronel chegassem ao Senado, o petista baiano obteve a mais expressiva votação de Haddad em todo o país. Aqui, o candidato do PT ao Planalto obteve quase 60% dos votos, sendo relevante para que Bolsonaro não conseguisse vencer em 1º turno.



Rui encerrou a campanha eleitoral pedindo “humildade”. Foi o tom cauteloso adotado por ele em diversos momentos. E deve ser o tom mantido por ele para tentar manter os níveis de votação de Haddad entre os baianos. O PT precisa do empenho dos aliados nordestinos para minimizar os efeitos de Bolsonaro no Sul, Sudeste, Norte e Centro-Oeste. Ao pregar humildade, o governador sinaliza estar disposto ao diálogo, inclusive com os adversários políticos na Bahia – algo improvável, porém fechar portas não é interessante no atual contexto.



O próprio Haddad utilizou a estratégia de abrir conversas com adversários. Citou nominalmente Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede) após telefonar para os três em meio ao resultado das urnas. A ideia de coalização “democrata” será o principal trunfo utilizado pelo petismo para tentar vencer o adversário.



Já o capitão do PSL iniciou o discurso criticando o sistema eleitoral brasileiro, ao apontar a hipótese de fraude nas eleições. Também nada fora do roteiro programado. Bolsonaro repetiu o discurso durante todo o processo eleitoral e, ao longo do dia, foram diversos os momentos em que aliados atacaram as urnas eletrônicas. Na avaliação do candidato, se não houvesse problemas nas votações, ele estaria eleito em primeiro turno. Até o dia 28 de outubro, não sobrarão oportunidades para ouvirmos tais críticas.



LEGISLATIVO

Ainda dentro do previsto, os eleitos na Bahia para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa da Bahia não mudaram muito no comparativo com as atuais legislaturas. Enquanto em Brasília a renovação ficou em torno dos 35%, para o Legislativo baiano são cerca de 38% de novos nomes para a composição – e a maioria ligada a pessoas já conhecidas na política baiana.



Mas se temos a vitória marcante de Rui de um lado, a derrota ficou para a simbólica saída de alguns caciques baianos dos seus quase tradicionais mandatos. Principalmente na Câmara. Exemplos como José Carlos Aleluia (DEM), Benito Gama (PTB), Antonio Imbassahy (PSDB), Paulo Magalhães (PSD) e José Carlos Araújo (PR) mostram que, mesmo com o roteiro em mãos e anos de experiência, é preciso se adequar às forças políticas caso queira se manter vivo na política
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