Palocci delator diz que pré-sal provocou ‘sonhos mirabolantes’ em Lula



Um trecho do primeiro depoimento da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma) trata do pré-sal. Segundo as declarações do ex-ministro à Polícia Federal, no âmbito da Operação Lava Jato, a descoberta das reservas de petróleo provocou ‘sonhos mirabolantes’ no ex-presidente Lula. “Com a descoberta do pré-sal, o então presidente Lula começa a ter sonhos mirabolantes”, contou. “O país começava a sofrer com o efeito antecipado da chamada “maldição do petróleo”, um termo utilizado na economia; que os próprios diretores da Petrobrás começavam a celebrar novos contratos, os partidos políticos começavam a formatar seus planos lícitos e ilícitos, o governo vislumbrava um país riquíssimo e com a real possibilidade de eleger seu programa quatro ou cinco vezes, e empresários ansiosos para ganhar dinheiro com o pré-sal.” De acordo com o delator, após a descoberta do pré-sal, lançou-se a ‘ideia de nacionalização do projeto’ da reserva. Palocci declarou que isso se deu ‘pelo aspecto social, de geração de empregos e desenvolvimento nacional, e objetivo, para atendimento dos interesses das empreiteiras nacionais, as quais tinham ótimo relacionamento com o governo’. “Seria muito mais fácil discutir com a OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa contribuições para campanhas eleitorais do que se tentar discutir os mesmos assuntos com empresas estrangeiras”, disse. “Havia, assim, um interesse social e um interesse corrupto com a nacionalização e desenvolvimento do projeto do pré-sal.” Parte da delação de Palocci foi tornada pública nesta segunda-feira, 1, pelo juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato. Moro anotou que não vê ‘riscos às investigações’. Palocci está preso desde setembro de 2016, quando foi pego na Operação Omertà, desdobramento da Lava Jato. Moro o condenou em uma primeira ação penal a 12 anos e dois meses de reclusão. O termo número 1 de colaboração do ex-ministro foi anexado à mesma ação penal em que ele confessou crimes pela primeira vez. O processo se refere a supostas propinas de R$ 12,5 milhões da Odebrecht ao ex-presidente por meio da aquisição de um apartamento em São Bernardo do Campo e de um terreno onde supostamente seria sediado o Instituto Lula, que teria sido bancado pela empreiteira. Lula está preso em Curitiba desde abril. O petista foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso triplex.

Estadão
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