Sob a sombra da guerra EUA-China, G20 é teste para Macri



SYLVIA COLOMBO - A partir do meio-dia desta quinta (29), Buenos Aires será uma cidade sitiada, com várias ruas fechadas em torno dos hotéis e locais de reuniões dos mandatários do G20 -evento que reúne os líderes das principais economias do mundo e que ocorre na sexta (30) e no sábado (1º).



Neste dia, também, sairão às ruas tentando romper os bloqueios diversas manifestações. Próximo à região do obelisco devem marchar coletivos feministas, anti-G20 e anti-FMI e grupos comandados por organizações de direitos humanos, como as Mães da Praça de Maio.

No centro das discussões, porém, o principal assunto será a tentativa de encontrar um consenso sobre temas sensíveis relacionados ao comércio exterior, à mudança climática e ao protecionismo.

Neste cenário, o principal encontro será entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, cujo clímax deve ocorrer na noite de sábado, quando jantam juntos.

Buenos Aires também será a sede da assinatura do novo Nafta (Tratado de Livre Comércio da América do Norte), entre México, EUA e Canadá.


Este evento deve ocorrer na sexta, uma vez que o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, viaja na mesma noite para, no dia seguinte, entregar o mandato ao novo presidente, Andrés Manuel López Obrador.

Também virão representantes de países que querem protestar contra outros, como a Ucrânia, que promoverá um evento anti-Vladimir Putin.

Para a Argentina, a cúpula do G20 terá mais de um objetivo. Primeiro, melhorar a imagem do país para investidores estrangeiros.

A Casa Rosada avalia que alguns fatos deste ano, como o pedido de empréstimo de US$ 57 bilhões (R$ 219 bilhões) ao FMI e a confusão devido à falta de segurança na final da Copa Libertadores –assunto com mais espaço no noticiário local que o G20 no momento–, mancharam a imagem do país.

Endividada e com o objetivo firmado com o FMI de chegar ao déficit fiscal zero em 2019, a Argentina necessita da "chuva de investimentos" que o presidente Mauricio Macri vem prometendo desde sua eleição, em 2015, e que nunca veio.

Por isso, Macri aproveitará a presença dos líderes para firmar vários acordos comerciais. Ele terá reuniões bilaterais com mandatários de 17 países. As principais serão com o próprio Trump, que acaba de liberar uma entrada maior de carne argentina no mercado americano e prometeu ao argentino uma campanha de incentivo para que empresas dos EUA invistam no país.

Outro encontro essencial para Macri será com Xi Jinping, quando serão assinados 40 tratados de comércio, transporte, ciência e energia e um "swap" de US$ 8,5 bilhões (R$ 32,7 bilhões).

Com o Reino Unido, Macri deve oficializar novos voos comerciais unindo o país às ilhas Malvinas (Falklands para os ingleses), embora a Argentina siga pedindo a soberania sobre o arquipélago.

Com Putin, Macri deve discutir a aproximação do Mercosul com o bloco liderado pela Rússia, e que inclui Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão. Com Alemanha, Espanha e França, tentará acelerar o lento acordo do Mercosul com a União Europeia.


Macri também receberá a diretora do FMI, Christine Lagarde, para uma reunião sobre os resultados da ajuda que o fundo vem dando ao país.

Ainda para o governo argentino, o G20 tem uma função política. Macri deve tentar a reeleição em outubro de 2019, e portanto uma cúpula exitosa diante das grandes potências do mundo pode fazer bem à sua imagem diante do eleitorado, mesmo que os números da macroeconomia estejam complicados.

A inflação deve terminar o ano em 40% e o peso perdeu 55% de seu valor desde o começo do ano.

Neste cenário, o Brasil terá uma participação modesta. Até a conclusão desta edição, não havia nenhuma reunião bilateral programada nesta que será uma das últimas viagens internacionais de Michel Temer -ainda há uma reunião do Mercosul no Uruguai, em dezembro. Nenhum integrante do governo de Jair Bolsonaro, que assume em 1º de janeiro, estará na comitiva.

Com informações da Folhapress.
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