Novo presidente uruguaio toma posse e promete fortalecer Mercosul


Em seu discurso de posse, o novo chefe de Estado uruguaio, Luis Lacalle Pou, elogiou o fato de que desde a redemocratização do país, em 1985, "todos os presidentes terminaram seus mandatos e transmitiram o poder de modo democrático".

"É preciso lembrar que somos inquilinos do poder", afirmou o centro-direitista, emocionado e com lágrimas nos olhos, durante cerimonial no Palácio Legislativo, em Montevidéu, neste domingo (1º). 

A cerimônia de posse teve a presença de congressistas, ministros e outros chefes de Estado --o rei Felipe da Espanha, Jair Bolsonaro (Brasil), Mario Abdo Benítez (Paraguai) e Sebastián Piñera (Chile)--, além da mulher, dos filhos e do pai de Lacalle Pou, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle. 

O novo mandatário foi recebido na porta do Parlamento pelo ex-presidente José "Pepe" Mujica, senador mais votado da última eleição. Mujica tomou o juramento de Lacalle Pou e de Beatriz Argimón, sua vice.

Sobre a política externa uruguaia, Lacalle Pou disse que é preciso fortalecer e flexibilizar o Mercosul, "para que os países do bloco possam comercializar com países de fora", e que se deve levar adiante o acordo comercial com a União Europeia.

Afirmou também que este é um momento político histórico para o Uruguai, pois pela primeira vez o país será governado por uma coalizão de cinco partidos. "Sei que isso gera incertezas, mas faremos caminho ao andar. As pessoas escolheram uma mudança e nós vamos fazer uma mudança."

Lacalle Pou, 46, do tradicional Partido Nacional, disse não querer que sua posse seja lembrada pela "troca de uma metade pela outra da sociedade", em alusão ao fato de a Frente Ampla passar para a oposição pela primeira vez em 15 anos. Acrescentou que manterá o que foi bem feito nas gestões anteriores e que mudará o que não vai bem.

Ele também chamou a atenção para a deterioração da economia e do aumento do desemprego. "Precisamos começar a recuperar o Estado, reordenar os recursos e gerar a abertura do mercado."

Sobre a segurança, um dos temas de maior preocupação dos uruguaios nos últimos meses, afirmou que há uma situação de urgência, e que o assunto será prioridade em seu primeiro dia de trabalho, nesta segunda-feira (2).

O Uruguai é hoje o quarto país mais violento da América do Sul. Nos últimos dois anos, o índice de mortes por cada 100 mil habitantes passou de 8 para 11,8. Lacalle Pou reforçou que haverá "apoio legal e formal" à polícia e ao Exército.

Fez também menção ao tema da deterioração do ambiente, afirmando que seu governo será "severo" nessa área.

Após discursar aos legisladores, ele se dirigiu à Praça Independência em um Ford V8 de 1937, que pertencia ao seu bisavô Luis Alberto de Herrera, um líder histórico do Partido Nacional. 

O veículo também foi usado por seu pai, ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), no dia em que assumiu.

Como sua sigla, o Partido Nacional, tem raízes no campo, vieram comitivas a cavalo de distintas regiões do país.
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