Apertem os cintos, o Ministro da Saúde sumiu




Tenho a impressão de que a loucura e a irresponsabilidade em seu grau mais elevado tomaram conta do Brasil, atingindo ao patamar de conduta criminosa, por deliberada omissão. Afinal, como declarou nosso Presidente ontem a um repórter, em mais um arroubo de ignorância e estupidez, “não sou coveiro”.

Por Julio Gomes.

Talvez os mais jovens não se recordem, mas há alguns anos atrás fez enorme sucesso um filme intitulado Apertem os Cinto… O Piloto Sumiu. Tratava-se de uma comédia que abordava o voo de um grande avião de passageiros, lotado, no qual o piloto simplesmente “desaparecia”.

Hoje, entretanto, vivemos uma tragédia real no Brasil. No momento em que escrevo estas linhas as secretarias estaduais de Saúde divulgaram, até as 8h30 desta quarta-feira, 22 de abril, 43.592 casos confirmados de infectados Corona Vírus (Sars-Cov-2), com 2.769 mortes pela Covid-19, sendo que mil delas ocorreram nos últimos sete dias. Isto ocorre em um país onde todas as autoridades reconhecem que há subnotificação dos casos, ou seja, os números reais são muito maiores do que os oficiais (https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/22/casos-de-coronavirus-e-numero-de-mortes-no-brasil-em-22-de-abril.ghtml Acesso em 22/04/2020, às 12:10 horas).

Concomitantemente, na quinta-feira, dia 23 de abril, também teremos exato sete dias contados da data de exoneração do ex Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandeta e do anúncio do nome do médico Nelson Teich para substituí-lo, cuja solenidade de posse ocorreu na manhã da última sexta-feira, 17/04, quando assumiu formalmente o cargo.

De lá para cá, apesar das cerca de mil mortes, do avanço contínuo dos diagnósticos positivos para COVID-19, do colapso do sistema de atendimento médico em várias capitais brasileiras, especialmente no Norte e no Nordeste, e das cenas que circulam na internet de pessoas sendo sepultadas em valas comuns e com o uso de máquinas de obras do tipo pá carregadeira, o que foi feito pelo novo Ministro da Saúde?

Bem, como não sabemos o que ele fez, vamos citar o que sabemos que ele não fez: deixou prestar as entrevistas coletivas do Ministério da Saúde e de seus técnicos, que ocorriam em todos os dias úteis, ao final da tarde; não deu, até o momento em que escrevo estas linhas, nenhuma palavra com a Imprensa, desde sua posse; não se pronunciou sobre a ajuda para uma transição oferecida pelo ex-Ministro Mandeta e também não montou sua própria equipe técnica de trabalho.

Entretanto, o mais assustador é considerar a possibilidade de que, ao não fazer tudo isso, o novo Ministro da Saúde esteja fazendo exatamente o que o Presidente quer: Nada, absolutamente nada.

Tenho a impressão de que a loucura e a irresponsabilidade em seu grau mais elevado tomaram conta do Brasil, atingindo ao patamar de conduta criminosa, por deliberada omissão. Afinal, como declarou nosso Presidente ontem a um repórter, em mais um arroubo de ignorância e estupidez, “não sou coveiro”.

Ontem, vimos o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, chorar ao pedir ajuda para o caos que já se instalou naquela cidade.

Enquanto isso, nosso Presidente se comporta de forma esquizofrênica, totalmente insensível às mortes e à dor humana; o Ministro da Saúde simplesmente desaparece e nós, talvez, estejamos somente aguardando a hora de chorarmos amargamente as nossas mais dolorosas lágrimas.

Queira Deus que tudo o que escrevi acima esteja errado, mas é isso o que há para ser dito no dia de hoje.

Julio Cezar de Oliveira Gomes é graduado em História e em Direito pela UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz.

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Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Blog do Gusmão.
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