Uso de máscaras pode 'quase zerar' transmissão do coronavírus se aliado a outras medidas, diz infectologista



O uso de máscaras se torna obrigatório nas cidades da Baixada Santista a partir desta sexta-feira (1º) e, em entrevista ao G1, o infectologista Ricardo Hayden explicou que a utilização do acessório de proteção, associado à outras medidas de higiene, distanciamento e isolamento social, podem reduzir a transmissão do novo coronavírus 'a um ponto próximo do zero'.


O uso de máscaras caseiras, recomendado pelo Ministério da Saúde, é uma estratégia importante no enfrentamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Na Baixada Santista, a obrigatoriedade foi definida durante reunião entre os nove prefeitos da região e começa a valer na sexta-feira. Em Santos, o munícipe que desrespeitar o decreto pode até ser multado em R$ 100.


Para o médico infectologista Ricardo Hayden, a medida é assertiva e se a população utilizar corretamente, mantiver o isolamento social e o distanciamento entre as pessoas, haverá um controle considerável da transmissão da doença.


"Estudos a respeito da evolução da epidemia em alguns países como República Tcheca, Singapura, Taiwan e Hong Kong, em especial, mostram que a adoção de uma série de medidas como o isolamento social, evitar aglomerações, somados com o uso geral das máscaras, apresentaram resultados bastante superiores a outros lugares onde foi adotado apenas o isolamento e distanciamento social", explica.


Máscara passará a ser item obrigatório em Santos (SP) a partir de maio — Foto: Anderson Bianchi/Prefeitura de Santos


Ainda de acordo com o especialista, diversas observações mostram, de forma clara e objetiva, que essas medidas tomadas em conjunto reduzem a transmissão do novo coronavírus 'a um ponto próximo de zero'.


"Mesmo com a adoção de todas as medidas possíveis, sobram algumas possibilidades de transmissão na medida em que as pessoas não mantenham o distanciamento necessário, de 2 metros, entre uma e outra, ou até mesmo de contrair o vírus por meio da mucosa ocular. Ainda, dependendo da forma de como coloca a máscara, uma porcentagem poderia receber cargas virais, ainda que diminuídas".


Hayden lembra que há diversos tipos de máscaras, com diferentes graus de eficiência. As máscaras caseiras, feitas de tecido, devem ser trocadas a cada duas ou três horas. “Quando for sair de casa, a pessoa deve fazer uma conta do tempo que terá que ficar na rua e levar um estoque para substituir quando necessário".


O infectologista diz saber que é difícil que toda a população adote rigorosamente todas as medidas. "Entendo que isso é muito difícil, dificilmente chegaremos em um cenário ideal. Isso implica em uma mudança na rotina, no dia a dia das pessoas. Chegar em casa e tomar banho imediatamente, usar com frequência o álcool em gel, não tocar no rosto e etc. É difícil".





Qual máscara utilizar?




A recomendação é que a máscara seja feita em folha dupla de tecido. Para higienizar a máscara, é preciso colocar de molho na água e sabão por 15-20 minutos para inativar o vírus. Enxaguar e, depois de seca, passar a ferro para que o calor complemente o papel de eliminar o vírus. Feito isso, a pessoa deve lavar bem as mãos com água e sabão, já que manuseou uma máscara que pode ter recebido o vírus, e depois passar álcool em gel.


“O vírus se deposita em volta da máscara, na lateral do pescoço e no colo. Por isso, é importante também lavar o rosto, com os olhos e boca fechados durante 30 segundos na hora do banho”, orienta. Já para colocar a máscara no rosto, o correto é pelo elástico, sem tocar na face dela que pode estar contaminada pelo vírus.


Se precisar sair de casa, jamais entrar no elevador sem máscara, tanto na ida quanto na volta. "Dentro da cabine do elevador, o ideal é que a pessoa não encoste os dedos nos botões e procure abrir a porta com o auxílio de um papel. Também é bom não encostar nas paredes da cabine e, se possível, entrar sozinho ou somente com a sua família", recomenda.
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