Isolamento à brasileira: Quando proibições do Estado parecem mais que necessárias

Isolamento à brasileira: Quando proibições do Estado parecem mais que necessárias

A pirâmide etária brasileira mostra há algum tempo que a população está envelhecendo. Pena que isso não signifique que exista um aumento de maturidade. Em uma visão simplista, essa demanda por tutoria explica as razões pelas quais tendemos a esperar tanto uma ação do Estado. É nessa ideia que tento amparar meus pensamentos quando observo que a prefeitura de Salvador foi obrigada a interditar o trecho da orla entre o Porto da Barra e a Ondina para evitar a aglomeração de pessoas.



As imagens do último domingo são assustadoras. Algumas centenas de pessoas tocam a vida como se nada estivesse acontecendo, como se a pandemia do novo coronavírus fosse algo distante e inalcançável. Parte disso é por conta dos números ainda não serem nomes para uma parte expressiva da população. Enquanto fulano e beltrano seguirem sendo anônimos, as mortes pela Covid-19 não assustarão. O problema é que, mesmo diante da iminência do pico de contaminação e do colapso do sistema de saúde, dificilmente esse distanciamento deve permanecer.



O mesmo acontece no interior da Bahia. Ainda que as medidas restritivas sigam implantadas, um grande número de cidades convive com aglomerações em áreas comerciais, nas proximidades de bancos ou com reflexos do conforto de quem não se preocupa com a doença. O coronavírus segue como um inimigo invisível e, até aqui, incontrolável. As autoridades públicas tentam coibir a disseminação dela e imploram para que a população contribua. Ainda assim, vê-se um espírito de desobediência civil que só deveria acontecer quando direitos são cerceados. Não é o caso, por mais que desequilibrados insistam que o distanciamento social se enquadra como perda de direitos.



Sem a consciência da população, restam poucas alternativas aos gestores a não ser endurecer as restrições. Depois de alguns meses com isolamento à brasileira, aquele que existiu sem nunca acontecer, se houver a necessidade de um lockdown para evitar que as mortes cresçam de maneira assustadora, é bom que cada um pegue um banquinho e saia de mansinho para casa. Ou então vão aguardar que um conhecido seja atingido pela doença. A tutela estatal passou a ser relevante. Quem diria, né?



Este texto integra o comentário desta terça-feira (16) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios A Tarde FM, Irecê Líder FM, Clube FM, RB FM, Alternativa FM Nazaré e Candeias FM. O comentário pode ser acompanhado também nas principais plataformas de streaming: Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts e TuneIn.
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