Ivermectina não deve ser usada contra a Covid-19 e pode causar sérios efeitos colaterais, alerta infectologista



A suposta cura para o coronavírus da vez é a Ivermectina. Circula pelas redes sociais que a droga, usada para combater parasitas como carrapatos, pulgas e piolhos, previne e até expulsa a Covid-19 do corpo humano.



A medicação foi apontada em uma pesquisa como eficaz na redução da replicação do coronavírus em testes in vitro, ou seja, em amostras do vírus em laboratórios. Entretanto, a comprovação da eficácia do medicamento no corpo humano não foi comprovada.

Em conversa com o VN, o médico infectologista Adriano Oliveira explicou que, nem ivermectina nem nenhuma outra droga possuem, até o momento, comprovação científica no combate à Covid-19.

“Esse uso da Ivermectina profilática para a Covid-19 não tem embasamento técnico científico, portanto, não deveria estar sendo feito.

Oliveira explica que a Ivermectina é uma droga segura para os seus fins, mas, como todo medicamento, pode apresentar sérios efeitos colaterais.

“Sabemos, por exemplo, que é capaz de induzir à hepatite colestática grave. Então a gente tem que tomar muito cuidado, porque o uso indiscriminado de medicação sem prescrição, sem orientação médica, infelizmente pode levar a tragédias”, afirma o doutor.

Ele afirma que, até o momento, a única forma de prevenir o coronavírus é com distanciamento social e higiêne pessoal, principalmente lavar e higienizar as mãos.

“A Ivermectina, de longe, não é a cura para a Covid-19. Infelizmente, não”, frisa.

INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS ALERTAM PARA OS RISCOS

Diversas instituições brasileiras emitiram notas sobre a falta de evidência para utilização da ivermectina na prevenção ou tratamento da Covid-19.
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Em nota técnica conjunta, o Centro de Informação sobre Medicamentos, Conselho Regional de Farmácia do Estado da Bahia, Universidade Federal do Ceará, Universidade Federal de Sergipe e Universidade Federal do Vale do São Francisco alertam profissionais da saúde:

“Conforme a Nota Técnica Informativa Nº 03/2020, desenvolvida este grupo de Centros de Informações sobre Medicamentos (CIMs), não há evidências científicas robustas que sustentem a utilização do medicamento ivermectina para tratar ou prevenir a COVID-19”.

A Rede Covida, projeto de colaboração científica e multidisciplinar focado na pandemia de Covid-19, formado entre o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba), alertou a população sobre os riscos do uso indevido da Ivermectina no tratamento da Covid-19:

“Tanto pela ausência de evidências científicas sobre a droga quanto aos benefícios para os pacientes com esta doença, como por poder produzir efeitos colaterais graves”.

A Sociedade Brasileira de Infectologia ressalta que a ivermectina e a nitazoxanida aparentam resultado positivo em testes in vitro, mas não há comprovação in vivo, ou seja em seres humanos.

A Sociedade resaslta que alguns medicamentos que tiveram resultado similar no teste in vitro, não apresentou o mesmo benefício em humanos. “Só estudos clínicos permitirão definir seu benefício e segurança na COVID-19”.

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBT) frisa que alguns médicos estão, erroneamente, compartilhando informações falsas.

“Não existem evidências científicas de que quaisquer das medicações disponíveis no Brasil, tais como ivermectina, cloroquina ou hidroxicloroquina, isoladas ou associadamente, colaborem para melhor evolução clínica dos casos. Isso também é verdade para vitaminas, como, por exemplo, a C e D, e suplementos alimentares contendo zinco ou outros nutrientes”.

A SBPT deixa claro que a ciência e a medicina são dinâmicas e, a qualquer momento, novidades concretas podem surgir e serão anunciadas. Entretanto, a melhor maneira de prevenir o coronavírus é mantendo o isolamento social e o uso de máscaras.
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