Carta manifesto em defesa da Petrobras e da Bahia



O Sindipetro Bahia dá início à uma “Vigília Itinerante em defesa da Petrobras e da Bahia” para mostrar à sociedade a importância de uma empresa nacional, pública, integrada, atuando em todos os segmentos da indústria do petróleo, gás e energia. 



A vigília é também a reação da categoria petroleira ao desmonte e privatização predatória da estatal que ocorre em ritmo acelerado no governo de Bolsonaro, atingindo em cheio o Nordeste.



Tendo como ponto de partida a cidade do Salvador, a vigília, que acontece de 31/07 a 19/08, seguirá passando por todas as cidades onde existem unidades do Sistema Petrobras.



O trajeto será percorrido por diretores do Sindipetro em um ônibus com um grande adesivo da campanha em sua carroceria com o slogan “Vigília Itinerante em defesa da Petrobras e da Bahia”.



A Bahia e os baianos merecem e precisam da geração de riqueza e renda proporcionada pela Petrobras.



Foi nesse estado que em 1939 jorrou o petróleo pela primeira vez no Brasil, no bairro do Lobato, em Salvador. Foi aqui também que, em 1950, entrou em operação, na região de Mataripe, a primeira refinaria da Petrobras, a Refinaria Landulpho Alves (Rlam). Em 1953, o então presidente Getúlio Vargas, cria a Petrobras, a partir de um forte clamor popular. 



Até 1965, a Bahia foi o único estado nacional a produzir petróleo. A partir da criação da Petrobras, o Brasil e, particularmente o Nordeste, viu nascer a geração de riqueza e o crescimento e desenvolvimento da economia local com o surgimento de outras indústrias ancoradas na produção do petróleo e seus derivados.



A Bahia é o que é hoje, em grande parte, devido à Petrobras, que possibilitou, por exemplo, a criação do Polo Petroquímico de Camaçari – o mais integrado do hemisfério Sul, gerando empregos e arrecadação de impostos para o estado e diversos municípios.



A Petrobras significa realizações de ações sociais, que beneficiam moradores dos 21 municípios, situados no entorno das unidades da estatal, que hoje emprega 3 mil trabalhadores diretos (concursados) e cerca de 10 mil terceirizados. Além da receita gerada com a compra de bens e serviços no nosso estado.



A Petrobras significa cuidado com o meio ambiente, criação de milhares de empregos diretos e indiretos, geração de impostos como ISS, ICMS e royalties, investimento em tecnologia e garantia de soberania. A Petrobras sempre atuou dessa forma. A responsabilidade social faz parte do DNA da empresa, independente do governo. Uma cultura que, há anos, vem sendo colocada em prática pelos petroleiros e petroleiras, responsáveis diretos pelo sucesso da Petrobras.



Mas desde a sua criação, a Petrobras é perseguida, pois fere interesses de nações e de grandes multinacionais. Ao longo de 66 anos foram muitas as tentativas de privatização da estatal, barradas por mobilizações, greves e campanhas grandiosas que tocaram o coração da população como a do “O Petróleo é Nosso”, no governo de Getúlio Vargas.

Agora, a estratégia para privatizar a empresa é outra - e mais cruel -, pois passa pelo desgaste da imagem da Petrobras e dos seus funcionários para que a população perca o interesse em defender a estatal.



Indiscutivelmente, a Petrobras foi a empresa brasileira mais atacada nos últimos dois anos, seja com o fechamento e venda das suas unidades ou redução dos investimentos e do efetivo de trabalhadores próprios e terceirizados.



A Bahia é um dos estados que mais vem sofrendo com a política da atual gestão da Petrobras. A transferência dos trabalhadores do Edifício Torre Pituba, onde funcionava a sede administrativa da estatal, em Salvador, para outros estados – cerca de 1.500 efetivos – foi um baque para a economia baiana, que perdeu cerca de R$ 80 milhões por mês, arrecadados através dos salários e benefícios desses empregados. Hoje, o Torre Pituba encontra-se fechado.



A UO-BA (Unidade Operacional da Bahia), por exemplo, é um negócio de R$ 3,5 bilhões por ano. Essa Unidade para a Petrobras é pequena, mas para a Bahia é grande, gera aqui cerca de 4 mil empregos diretos e indiretos (trabalhadores terceirizados e próprios), somando isso à FAFEN, RLAM, Transpetro, Termoelétricas, Campos Terrestres, Petrobrás Biodiesel e outras unidades da empresa, é possível perceber que a Petrobras tem um tamanho colossal para o estado.



Tirar esse negócio da Bahia, vender e paralisar as unidades é assustador, podendo também gerar prejuízos para a própria empresa. Afinal, vender durante uma crise econômica, onde há pouca circulação de dinheiro, é certeza de venda abaixo do preço real da mercadoria.



Entendemos que nenhuma empresa privada, por maior que seja, terá a capacidade de investimento igual à da Petrobras e nem o interesse em realizar ações sociais tão importantes para a população de baixa renda.



Ao longo desses quase 67 anos, foram muita luta e energia de vários segmentos, de lideranças políticas, sociais e sindicais para manter a Petrobras viva e eficiente, atendendo aquilo a que ela se propõe desde a sua origem, que é ser uma empresa pública, que dá retorno à sociedade brasileira.



Temos certeza que a Petrobras é uma das empresas que mais podem contribuir para ajudar o povo brasileiro a superar a atual crise econômica e social.



Não é hora de vender, mas de investir. É hora de somar, não de dividir. Por isso, convidamos você a fazer parte dessa luta. Lutamos para o que o povo brasileiro tenha o direito de ter uma empresa pública, integrada, e que tenha compromisso com o presente e o futuro da nossa nação.



Chegou o momento de resgatar a nossa autoestima como povo soberano. Essa luta é sua também!



Sindipetro Bahia
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