Sob pressão, presidente do Banco do Brasil sai do governo



O presidente-executivo do Banco do Brasil, Rubem Novaes, entregou pedido de demissão ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao ministro da Economia, Paulo Guedes, válida a partir de agosto, informou a instituição financeira nesta sexta-feira (24). O banco não informou quando o pedido de renúncia foi apresentado e afirmou que ela terá efeitos em agosto, “em data a ser definida”. Um substituto não foi divulgado.

Segundo o BB, ele pediu demissão por entender que o banco “precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário”. Novaes foi indicado ao cargo por Guedes em novembro de 2018 e ficou pouco mais de 18 meses no cargo. O anúncio acontece em meio aos preparativos para o PIX, sistema instantâneo de pagamentos, e do open banking, ambos projetos liderados pelo Banco Central para ampliar a competição no setor bancário e que devem entrar em vigor no final do ano. Segundo uma fonte próxima do executivo, Novaes já vinha nos últimos meses manifestando cansaço e interesse em ficar mais tempo com a família.



Privatização O executivo, que tem 74 anos de idade, é um dos defensores da privatização do BB, ao lado de Paulo Guedes. No mês passado, em reunião com os parlamentares da comissão do Congresso que acompanha as ações econômicas relativas à pandemia de coronavírus, Rubem Novaes defendeu a privatização, após dizer que a competição será muito intensa nos próximos anos. “A minha dúvida é se, com as amarras que nós temos do setor público, vamos ter velocidade de transformação que nos permita uma adaptação a esse novo mundo. Eu sinceramente desconfio que não”, disse. “Hoje, o Banco do Brasil, apesar de ser extremamente eficiente, ter um pessoal extremamente qualificado e dedicado, concorre com os outros bancos com bolas de chumbo amarradas aos pés. As decisões são todas demoradas, têm que passar por TCU, Sest, Secom, CGU…”.

Reunião ministerial

Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Guedes disse que o governo “faz o que quer” com a Caixa Econômica Federal e o BNDES, mas no BB “não consegue fazer nada”, mesmo tendo um “liberal lá”, em referência à Novaes, que estava no encontro. “Tem que vender essa porra logo”, disse Guedes. Para Guedes, o Banco do Brasil “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”. “Se for apertar o Rubem, coitado. Ele é super liberal, mas se apertar ele e falar: ‘bota o juro baixo’, ele: ‘não posso, senão a turma, os privados, meus minoritários, me apertam.’ . Aí se falar assim: “bota o juro alto”, ele: ‘não posso, porque senão o governo me aperta’. O Banco do é um caso pronto de privatização”, afirmou o ministro da Economia durante encontro com ministros e outras autoridades.

Publicidade em sites Nesta semana o Banco do Brasil apresentou um agravo ao TCU (Tribunal de Contas da União) pedindo a revisão da suspensão de contratos de publicidade do banco com sites, blogs, portais e redes sociais acusados de espalhar fake news. O banco argumentou que a proibição causa prejuízo e considera a restrição excessiva, afirmando que cerca de um terço das contratações de cartões de crédito e de contas digitais vinha de sites que hoje não podem ter publicidade do BB.

Novaes derrubou propaganda a pedido de Bolsonaro

No ano passado, outro caso envolvendo propaganda do Banco do Brasil teve repercussão. A pedido de Bolsonaro, Novaes mandou retirar do ar um filme publicitário dirigido ao público jovem, com atores que representavam a diversidade racial e sexual. O episódio também culminou na saída do diretor de marketing do BB, Delano Valentim. “O presidente (Jair Bolsonaro) me ligou e viu primeiro do que eu. Isso foi um erro. Eu deveria ter visto primeiro. Assisti o filme publicitário do banco e não gostei. Estranhei. Nosso objetivo é atingir toda a juventude, que não estava no filme, o jovem fazendeiro, o esportista, o nerd”, disse Novaes, na época. (Uol notícias)
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